Climatologia Meteorologia

Ciclones extratropicais

 Os meteorologistas chamam de ciclones extra-tropicais os sistemas de ar de baixa pressão que se formam sobre os mares fora da zona intertropical, retirando sua energia das diferenças de temperatura existente entre as várias camadas da atmosfera. Como é que é? É o seguinte: um sistema de ar é apenas uma grande quantidade de ar que se move de forma organizada. Já baixa pressão se refere à força que esta quantidade de ar faz sobre a superfície da Terra, ou seja, ao seu peso. Quando dizemos que uma área é de baixa pressão atmosférica, queremos dizer que ali o ar faz menos força sobre a Terra (e sobre a gente) do que na região vizinha. Áreas de baixa pressão atraem ventos, que sopram para dentro dela tentando equilibrar a força que o ar faz sobre aquele trecho da superfície.

     Como podemos observar na imagem abaixo no Hemisfério Norte, os ciclones extratropicais giram em sentido anti-horário(Imagem 1) e, no Hemisfério Sul, giram em sentido horário.(Imagem 2). Os ciclones extratropicais são um dos sistemas de escala sinótica que mais causam mudanças no tempo nas regiões onde atuam. Portanto, o monitoramento mensal desses sistemas é importante devido ao seu impacto sócio-econômico de forma geral. Os Ciclones extratropicais podem trazer tempo moderadamente severo, com chuvas leves e ventos de superfície entre 15 e 30 km/h, ou podem ser frios e perigosos, com chuvas torrenciais e ventos que excedem 119 km/h.



Imagem 1 – Ciclone Extra-Tropical no Hemisfério Norte. 






 



Imagem 2 – Ciclone Extra-Tropical no Hemisfério Sul.


     Sinclair (1994) observou máxima ocorrência de ciclones em torno da Antártica e próximo aos continentes nas latitudes médias principalmente no inverno. Segundo o autor a maior densidade de ciclones nas proximidades do continente Antártico pode estar relacionada ao efeito da topografia que propicia a ocorrência de ventos catabáticos(ventos que transportam ar de alta densidade de uma elevação descendo a encosta devido à ação da gravidade) que interagem com o contraste continente-oceano favorecendo a ciclogênese. Sinclair também notou que a maior frequência de ciclones ocorre no leste da América do Sul e no Pacífico e a menor no oeste dos continentes e que algumas dessas variações longitudinais provavelmente refletem o papel das correntes oceânicas onde condições quentes (frias) prevalecem na porção leste (oeste) dos continentes. Entretanto, outros estudos observaram uma terceira região na costa leste da América do Sul com grande frequência de sistemas principalmente no verão que é a costa da região sul e sudeste do Brasil, porém as causas desse máximo ciclogenético ainda necessita ser investigado.

Ciclones Extratropicais no Brasil:


     No Brasil, no dia 2 de maio de 2008, um ciclone extratropical afetou mais de 100 mil pessoas no Sul do país e deixou dois mortos.
Segundo o doutor em meteorologia Gustavo Escobar, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), ciclones extratropicais são comuns no Brasil, mas não são sentidos por se formarem geralmente longe da costa. “Entre os meses de abril e setembro, a frequência desse fenômeno pode ser maior, mas isso não impede que ele possa ocorrer em outros períodos e em outras regiões”, explica Escobar. Segundo o especialista, algumas regiões, chamadas ciclogenéticas, são características por serem as áreas onde se formam os ciclones. Na América do Sul, as principais regiões ciclogenéticas são o Nordeste da Argentina, o Uruguai, o Paraguai, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.


A imagem mostra a movimentação dos ventos próximo a costa Sul do País.
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Referências Bibliográficas:

http://www.cbmet.com/cbm-files/14-3ca1c9f241c16bed4174a5807a123ed2.pdf
Acessado em:  20/04/2012

http://chicomarchese.com/material-para-aulas/fenomenos-climaticos-mudancas-climaticas-x-aquecimento-global/ciclones-extra-tropicais/
Acessado em: 23/04/2012

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL455649-5598,00-CICLONES+EXTRATROPICAIS+SAO+COMUNS+NO+BRASIL+DIZ+ESPECIALISTA.html
Acessado em: 18/04/2012

Sobre o autor

Gabriel Caldeira

Técnico Ambiental, Blogueiro, youtuber, adepto a esportes radicais em meio a natureza, professor de geografia e de vários cursos virtuais, atualmente está cursando Geografia na PUC Minas. Trabalha incansavelmente, para promover o compartilhamento de informações relevantes na rede, escreve, grava, edita e compartilha todo tipo de coisa que envolva a geografia.
É aspirante a documentarista, engajado nas causas ambientais e sempre caminha no sentido da inovação.

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