Climatologia

Como surge um Deserto

Escrito por Thales Peixoto

Solo arenoso, clima quente e seco e índices pluviométricos baixos por longo período. Essas condições permitem classificar uma região como desértica. Os desertos que conhecemos hoje mantêm essas características há milhares de anos. Isso significa que eles não se formam de uma década para outra, mas o esgotamento dos solos tem provocado a expansão rápida de terrenos arenosos.

 

1 – Em áreas com terrenos arenosos, a mata nativa é essencial para proteger o solo da degradação. As raízes das árvores sustentam a terra e retêm a água, evitando a erosão (A Amazônia é um grande exemplo). A situação começa a mudar quando a área é ocupada de maneira predatória. O desmatamento da vegetação nativa ou das margens de rios, as queimadas, a agropecuária intensiva, o uso indiscriminado de agrotóxicos e as práticas inadequadas de irrigação podem iniciar o processo de desertificação.


2 – Com a ocupação agropecuária, parte da mata nativa é derrubada para dar lugar a plantações e pastos. Sem a proteção das raízes, o solo perde matéria orgânica e começa a ter camadas removidas. A cada nova cultura, a aragem do terreno e a ação da chuva carregam nutrientes do solo, que tem sua espessura original diminuída. A terra nua sofre com a erosão e os deslizamentos de terra e há uma redução do volume do leito dos rios.


3 – O mau uso do solo acaba com a produtividade nas terras baixas e força o agricultor a desmatar uma área na encosta para prosseguir com o plantio. Nessa região, os efeitos da erosão são ainda mais rápidos. As terras abandonadas só servem como pasto para o gado. Em alguns anos, a produtividade nas encostas também diminui e a faixa plana vira areia.

 


4 –  Em poucas décadas, a região fértil e verde dá lugar a um terreno arenoso e improdutivo. Com a ação do vento e da água, toda a faixa do solo desaparece e só sobra areia e rocha. Mas isso não significa que um deserto tenha se formado, porque a desolação tem remédio: a desocupação do local é o primeiro passo para que gramíneas e capins mais resistentes voltem a aparecer. A recuperação total do solo, entretanto, pode demorar séculos.

 

Um Continente que Seca

 

A África é, de longe, o continente mais atingido pela desertificação. Na borda sul do deserto do Saara, uma região do tamanho do estado de Minas Gerais virou areia nos últimos 50 anos. Hoje, a ameaça de desertificação atinge quase dois terços do continente. Além das constantes secas, os solos sofrem com a substituição das lavouras de sustento por culturas de exportação desde os anos 40. O problema tem conseqüências sociais graves: nas próximas duas décadas, cerca de 60 milhões de pessoas devem deixar as terras atingidas pela desertificação, migrando para outras regiões da África ou para a Europa.

 

África: Vulnerabilidade à desertificação

Fonte: Natural Resources Conservation Service Soils

 

Fonte: Nova Escola

Sobre o autor

Thales Peixoto

Graduando em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica. Estuda e desenvolve metodologias ativas de ensino utilizando principalmente as tecnologias digitais como ferramenta. Possui experiencia na área de Geociências, atuando principalmente nos seguintes temas: Geoprocessamento, Geomorfologia, Mapeamento e Planejamento Ambiental.

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