Geografia Econômica

As Crises Globais do Capitalismo e o Papel das Organizações Econômicas Internacionais

Escrito por Thales Peixoto

CO-Autores: Glaycon Andrade, Tauany Silva, Victor Coelho, Wagner Vimieiro.

Crise de 1929

Com o final do período feudal na Europa do início do século XVI, surgiu um novo tipo de governo, o absolutismo. Com o absolutismo foram instaurados os estados nacionais que possibilitaram as grandes navegações.

A burguesia insatisfeita com as limitações impostas pelos reis, exigia mais autonomia e liberdade, onde Teóricos como John Locke, Montesquieu e outros abriram espaço para uma nova forma de governo, o Estado Liberal. Após as revoluções Gloriosa na Inglaterra do século XVII, Americana no século XVIII e posterior Francesa ainda do século XVIII, as teorias liberais ganharam grande aceitação no mundo.

As novas formas de governo proporcionaram significativo desenvolvimento das classes burguesas e após a revolução industrial na Inglaterra no século XIX, os burgueses tinham tudo ao seu favor para colocar em cheque sua teoria liberal.

O Capitalismo se desenvolve, a princípio, em um mundo sem muitas limitações, pelo menos no que tange às interferências estatais. O que se gerou foi uma busca implacável pela industrialização. A Alemanha do início do século 20 era um país em expansão industrial de grandes objetivos e território limitado. As limitações geográficas da Alemanha fizeram surgir movimentos expansionistas em busca de novos territórios e fontes energéticas, destacando-se o carvão vegetal. A primeira guerra mundial afetou o globo não somente com sua destruição localizada, mas também com efeitos posteriores que viriam a culminar, na maior crise econômica já registrada pelo homem até a data, a crise de 1929 a 1933.

Segundo Hobsbawm (1995), o período que se seguiu no pós primeira guerra foi marcado por um pequeno, apesar de contínuo, crescimento econômico em quase todo o globo, com exceção dos EUA que passaram pelo boom econômico com aumentos de produção e consumo em massa. O baixo crescimento econômico mundial não parecia assustar os economistas da época que estavam acostumados com a ideia de ciclos de altas e baixas do sistema capitalista. A confiança dos economistas e estudiosos econômicos da época vinha de uma herança de algumas outras crises já vividas pelo sistema, como a de 1873 a 1896, causada pela superprodução industrial, mas nenhuma crise viria a ser tão profunda ou tão preocupante como a crise de 1929.

A crise teve seu início na manhã de 24 de outubro de 1929, quando a bolsa de valores de New York registrou a maior queda em suas ações, evento que foi registrado na história como a quinta feria negra de NY. Na manhã de quinta-feira, 70 milhões em ações foram colocadas no mercado, o que provocou uma enorme desvalorização dos preços dos títulos. Os investidores de títulos ofertaram suas ações logo que viram seus lucros sucumbirem, desvalorizando ainda mais as ações. As empresas, perdendo seus valores de mercado, tomam medidas preventivas, como a demissão de seus funcionários. As massas de desempregados enfraqueceram o mercado consumidor que como em um efeito dominó, pioram os efeitos da crise.

Os primeiros setores a sentirem os efeitos da crise foram os setores imobiliários, que foram afetados pelo não pagamento das dívidas dos norte-americanos. O Fordismo proporcionou uma super produção industrial, porém, com uma população em crise financeira, a taxa de consumo caiu drasticamente, o que levou várias empresas a falência, acentuando ainda mais o desemprego.

A crise afetou o mundo, e o trauma foi sentido devido aos seus números, como nas palavras de Hobsbawm (1995) “No pior período da Depressão (1932-3), 22% a 23% da força de trabalho britânica e belga, 32% da dinamarquesa e nada menos que 44% da alemã não tinha emprego.”

O massivo desemprego quem em um efeito cascata vieram a afetar todas as outras áreas da economia fizeram com que John Maynard Keynes elaborasse sua teoria de intervencionismo estatal como forma de garantir os empregos e consequentemente o bom funcionamento do sistema. Sua teoria só foi implementada de fato após 1945, porém, nos anos da grande depressão (1933-1937) os EUA já vinham fazendo uma série de mudanças em suas leis que com a influência estatal visavam a superação da crise. O New Deal, como ficou conhecida a manobra estadunidense, consistia em uma série de programas implementados entre 1933 e 1937, sob o governo do Presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana.

Aos poucos as economias mundiais vinham se recuperando, apesar de nunca recuperar o crescimento das décadas do Boom, fato que só foi interrompido com a eclosão da Segunda Grande Guerra (1940-1945).

FMI – Fundo Monetário Internacional

O Fundo Monetário Internacional, instalado em primeiro de março de 1947, é uma organização internacional que tem por fim garantir o funcionamento do sistema financeiro mundial, com o monitoramento das taxas de câmbio e da balança de pagamento, por meio de assistência técnica e financeira.

O FMI integrado por cento oitenta e cinco países, atua na cooperação monetária global, com o fim de garantir a estabilidade financeira, facilitando o comercio internacional e o desenvolvimento econômico sustentável, reduzindo, segundo seus objetivos, a pobreza mundial.

Criado em 1945, a partir dos planos do americano Harry Dexter White e do Inglês John Maynard Keynes, cujas bases deram sustentação a origem da organização, tem como princípio básico, preservar o sistema monetário internacional, através da promoção, da cooperação e da consulta em assuntos monetários entre seus membros.

A exceção da Coréia do Norte, Cuba, Liechtenstein, Andorra, Mônaco, Tuvalu e Nauru todos os demais membros da Organização das Nações Unidas, integram o Fundo Monetário Internacional. Juntamente com o BIRD o FMI emergiu das conferencias de Bretton Woods, desenvolvida para fornecer assistência financeira temporária para países em crise, evitar a repetição das políticas econômicas que contribuíram para o enfraquecimento do comercio mundial durante a segunda guerra, assegurar aos países reservas em moeda forte que lhes permitissem continuar comercializando com outras nações do mundo e por derradeiro, estimular o crescimento econômico. Foi considerado um dos marcos da ordem econômica internacional do pós-guerra.

Segundo sua convenção constitutiva o FMI tem por finalidade: fomentar a cooperação monetária internacional por meio de uma instituição permanente, como mecanismo de consulta e colaboração em questões monetárias internacionais; facilitar a expansão e o crescimento equilibrado do comercio internacional; fomentar a estabilidade cambiaria, contribuindo para manter regimes de câmbio ordenados evitando depreciações cambiarias competitivas; auxiliar no estabelecimento de um sistema multilateral de pagamentos para as transações correntes entre países-membros, eliminando as restrições que obstaculizem a expansão do comercio mundial.

O FMI tem também por fim assegurar a eliminação das restrições cambiais nos países membros e disponibilizar temporariamente recursos para evitar desequilíbrios no balanço de pagamentos.

Cada país que integra o FMI, detém no Fundo uma cota a ser determinada com base em seus indicadores econômicos, entre os quais o PIB-=Produto Interno Bruto. Essas cotas são revistas a cada cinco anos e quanto maior for a contribuição ao FMI maior será o peso do voto nas decisões. Os cinco maiores acionistas, hoje, são Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e o Reino Unido.

Banco Mundial

O Banco Mundial é um grupo de instituições financeiras cujo principal objetivo consiste em fomentar o crescimento econômico e a cooperação na escala global contribuindo assim para a promoção do processo de desenvolvimento econômico dos países em desenvolvimento membros dessas instituições.

Sediado em Washington, é constituído pelo Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), pela Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) e outras instituições.

O BIRD, fundado em 1945 com o objetivo de ajudar a reconstrução da Europa, concentra a sua atuação presente na concessão de financiamento aos países beneficiários em condições mais favoráveis em relação aos mercados financeiros internacionais, com taxas concessionais e prazos de maturidade alargados, com vista à sustentabilidade financeira dos países em causa. Uma parte significativa dos fundos do BIRD é originada nos mercados financeiros internacionais. Atualmente o BIRD tem 185 países membros.

Maiores Acionistas
EUA 16,38%
Japão 7,86%
Alemanha 4,49%
França 4,30%
Reino Unido 4,30%
Fonte: Relatório Anual 2007

A Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), fundada em 1960, concede aos seus países-membros doações e empréstimos concessionais: taxas de juros bonificadas, com um período de graça de 10 anos e uma maturidade que varia entre os 35 e os 40 anos a países que não têm acesso aos mercados financeiros. A AID é um fundo reconstituído de 3 em 3 anos, financiado por contribuições dos governos dos países mais ricos. Em 2007 completou-se a 15ª reconstituição da AID de cerca de USD 41,6 mil milhões para o triênio 2009 a 2011.

Os 80 países-membros com acesso a fundos da AID obedecem aos seguintes 3 critérios:

  • Para o ano fiscal de 2008, PIB per capita inferior a USD 1,065 (valores de 2006).
  • Falta de capacidade creditícia para aceder a fundos junto dos mercados financeiros.
  • Boa performance de implementação de políticas que promovam o crescimento econômico e a redução da pobreza.
OMC – Organização Mundial do Comercio

Com o intuito de um comércio mundial mais abrangente e com intuito de englobar as nações em desenvolvimento e as de menor expressividade no mercado mundial, foi fundado em janeiro de 1995 na Rodada do Uruguai, a Organização Mundial do Comércio substituindo o antigo GATT que também tinha como fundamento a manutenção do sistema multilateral de comércio.

As políticas protecionistas exercidas durante as duas guerras mundiais trouxeram impactos negativos no âmbito dos Estados Nações, os anos foram marcados pela falta de cooperação comercial entre os países do globo, por diversas desvalorizações cambiais e imposição de barreiras às importações.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial e da crise de 1929, os Estados Unidos se instaurou como a potência mundial da época e passou a exercer o papel de mandatário do comércio mundial, agindo com uma política protecionista que dificultava cada vez mais as negociações comerciais entre nações. Algumas de suas ações foram o aumento de tarifas aduaneiras e a recusa ao processo de liberalização comercial que veio acarretar a crise comercial do mundo.

O EUA vendo que a política protecionista não foi a melhor forma de ação, passou a adotar ao fim da Segunda Guerra Mundial uma nova política neoliberal de aceitação a liberalização multilateral do comércio buscando evitar os erros anteriores.

As principais demandas da Rodada do Uruguai se divergiram entre os países desenvolvidos que queriam discutir sobre o comércio de serviços, direitos de propriedade intelectual e medidas de investimento no comércio e os países em desenvolvimento acreditavam que a prioridade da Rodada do Uruguai era a reestruturação. Essa divergência de demandas teve fim com um consenso em discutir as duas pautas.

A OMC tem como principais funções:

  • Gerenciar os acordos multilaterais e plurilaterais de comércio negociados por seus membros, particularmente sobre bens, serviços e direitos de propriedade intelectual relacionados com o comércio;
  • Resolver diferenças comerciais;
  • Servir de fórum para negociações sobre temas já cobertos pelas regras multilaterais de comércio e sobre novas questões;
  • Supervisionar as políticas comerciais nacionais;
  • Cooperar com o Banco Mundial e o FMI na adoção de políticas econômicas em nível mundial.

Existe diferenças que permeiam o GATT e a OMC, não é apenas uma ampliação do modelo anterior, o GATT contribuiu efetivamente para a remoção das barreiras comerciais mundiais, mas nunca teve poder suficiente para impedir que alguns de seus signatários se desviassem por caminhos protecionistas. Isso se deveu, em parte, à fragilidade de seus mecanismos de solução de controvérsias comerciais, extremamente suscetíveis a bloqueios. Já a OMC, ao contrário, é uma organização permanente, com personalidade jurídica própria e com o mesmo status do Banco Mundial e do FMI. Os compromissos sob seus membros são absolutos e permanentes, e o seu sistema de solução de controvérsias é mais efetivo e menos sujeito a bloqueios.

Os objetivos mais amplos das novas normas, além da maior previsibilidade das condições em que operam o comércio internacional, são a garantia de acesso aos mercados e a competição justa. Por trás destes dois objetivos estão dois princípios básicos: a não-discriminação e a reciprocidade.

Troika

Troika é o nome dado a equipe de três consultores econômicos, sendo eles a Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional. A Troika foi criada entre os anos de 2009 e 2011 com o objetivo de analisar os pedidos de financiamentos monetários internacionais. A Troika analisar e negociar os casos de pedidos de empréstimos e/ou ajuda monetária de países que recorrem ao FMI ou ao BCE, com foi o caso de Portugal, Grécia, Chipre e Irlanda nos últimos anos.

Crise de 1973

Com o final da segunda grande guerra os EUA se viu em suas décadas de ouro, onde registrou o maior crescimento econômico da sua história. Com sua forte economia a nível mundial, em 1944 foi acordado o Bretton Woods, com a concessão dos 45 países de maior influência econômica mundial, ao qual estabeleceu-se o dólar americano como a moeda padrão para câmbios internacionais.

Após 1945 o mundo se viu em uma busca pela industrialização como forma de erguer e/ou recuperar suas economias. O petróleo, também chamado de “Ouro Negro” foi a base do desenvolvimento para muitos países, principalmente os de segundo e terceiro mundo.

Na década de 70, o descobrimento de que o petróleo era um recurso não renovável fez com que a OPEP subisse o preço dos barris em até 400% nos meses de outubro e março de 1973, levando a reflexos na economia de diversos países dependentes do produto.

De acordo com Hobsbawm (1995), o mundo capitalista não parou sua produção nas décadas de crise, apenas reduziu, se comparados com as décadas de ouro pré 1973. Na verdade, a crise de 1970 a 1990 era, aparentemente, apenas mais uma crise cíclica do sistema capitalista, que reduziu a produção industrial nas “economias de mercado desenvolvidas” em 10% em um ano, e o comércio internacional em 13%.

O mesmo não foi visto na África, Ásia ocidental e na América Latina, onde os números negativos de crescimento econômico puderam ser comparados aos anos da grande depressão. Na análise de Hobsbawm (1995) a crise só seria sentida nos países desenvolvidos a partir do final da década de 80, onde em 1987 ocorreu o segundo Crash da bolsa de valores de NY. Em 1993 em Nova York, 23 mil homens e mulheres dormiam na rua ou em abrigos públicos e 3% da população da cidade não tinha tido um teto sobre a cabeça nos últimos 5 anos.

De acordo com Hobsbawm (1995), o resultado da crise foi um profundo endividamento dos países do segundo e terceiro mundo que viriam a ficar dependentes das políticas externas comandadas pelos países hegemônicos. As nações que não viram uma forma de enfrentar a crise sozinhas fundaram ou fortaleceram suas uniões com outras nações, como foi o caso da União Europeia que dobrou seu tamanho entre as décadas de 1970 a 1990.

O Banco Mundial apercebe-se, desde 1960, do perigo de uma crise da dívida ocorrer, pelo facto de os principais países endividados não conseguirem manter os pagamentos cada vez mais elevados. Os sinais de alerta multiplicam-se durante os anos sessenta até ao choque petrolífero de 1973.

Tanto os dirigentes do Banco Mundial e do FMI, como os banqueiros privados, a Comissão Pearson e o Tribunal de Contas dos Estados Unidos (General Accounting Office – GAO -) publicaram relatórios enfatizando os riscos de crise. Depois da subida do preço do petróleo em 1973 e da reciclagem massiva de petrodólares pelos grandes bancos privados dos países industrializados, o tom dos relatórios muda radicalmente.

O Banco Mundial e o FMI deixam de falar de crise. No entanto, o ritmo do endividamento continua imparável. O Banco Mundial entra em concorrência com os Bancos privados para conceder o maior número de empréstimos, o mais depressa possível. Até à eclosão da crise, em 1982, o Banco Mundial mantém uma linguagem dúbia. Quando fala em público e para os países endividados, afirma que não há motivo para inquietações, se os problemas surgirem serão de curta duração. É o discurso mantido nos documentos oficiais.

O segundo discurso é mantido fechado a sete chaves e abordado apenas nas discussões internas. Num memorando interno, lê-se que se os bancos se aperceberem que o risco aumenta, reduzirão os empréstimos e “poderíamos ver uma grande quantidade de países em situações extremamente difíceis “(29 de outubro de 1979). Na véspera da crise, o FMI continua a dizer que está tudo bem.

Crise de 2008

A crise de 2008 foi além de uma crise financeira, uma crise social. A taxa de desemprego chegou a 50 milhões segundo a Organização Internacional do trabalho fazendo com que a renda diminuísse. Junto a esse fato, o aumento nos preços das mercadorias para manter os preços no sistema internacional contribuiu para o aumento de 11% na taxa de pessoas desnutridas a nível mundial segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura)

A crise financeira de 2008 foi em razão da criação abundante de riquezas fictícias, segundo Pereira (2010). Um contexto histórico que contribuiu para essa crise foram as investidas estadunidenses em armamentos de combate ao terrorismo, intensificados após o 11 de setembro. Países como Iraque e Afeganistão são exemplos desses investimentos feitos pelos Estados Unidos contra ações militares externas. Unido a esse fato, a partir de 1997 a balança comercial dos Estados Unidos estava desfavorável, ou seja, importavam mais do que exportavam. Mas ajudas financeiras externas vindas de países como China e Inglaterra estimularam os norte-americanos. De acordo com Silber (2010), dois fatores contribuíram para o desequilíbrio econômico dos EUA, a concorrência no comercio internacional com a emergente China e o aumento no preço do petróleo em 2002.

Com a entrada de capital nos bancos, os mesmos facilitavam créditos para seus clientes. A baixa taxa de juros estimulou os consumidores a comprar, principalmente imóveis passíveis de valorização. Segundo Silber (2010), o crédito fácil contribuiu para a bolha imobiliária, uma vez que os preços dos imóveis aumentaram consideravelmente devido à grande procura. Todavia, em um dado momento, as taxas de juros aumentaram e consequentemente a procura por imóveis e os preços dos mesmos caíram.Com isso, as vendas caíram e os consumidores começaram a ficar inadimplentes pois deixaram de pagar as hipotecas em razão da desvalorização dos imóveis. A partir disso faltou dinheiro nos bancos e o quarto maior banco dos EUA, o Lehman Brothers quebrou

Segundo Silber (2010) a economia mundial vivia o mesmo lema de 1929, queda no preço das ações mundiais, redução do comércio internacional, queda na produção e aumento do desemprego. Nesse momento o Governo teve um papel muito importante e intervencionista. Entretanto, em 2009 atingimos uma queda na produção mundial e com isso o PIB dos Estados Unidos obteve um Déficit Fiscal de -10%. Segundo Silber (2010) a expansão do crédito de forma desregulada, a bolha dos preços, o desequilíbrio macroeconômico mundial e os recursos para financiar esses desequilíbrios explicam a intensidade dessa crise. Economistas prospectaram uma participação especial dos países emergentes na regulação do cenário geopolítico mundial, como por exemplo a China e a Índia, Brasil e Rússia.

O Fundo Monetário Internacional desenvolveu um papel importante nessa crise mundial criando e aumentando medidas para melhor atender as necessidades dos países. Algumas dessas medidas foram, segundo o FMI:

  • Criação de uma barreira anticrise: O FMI ampliou sua capacidade de concessão de crédito desde a eclosão da crise com aportes de US$ 456 bilhões.
  • Ampliação do crédito: O FMI reformulou sua estrutura de concessão de crédito dando maior atenção a crise e simplificou as condições para empréstimos. Mais de US$ 300 bilhões foram destinados para os países membros
  • Ajuda ás populações mais pobres: O FMI realizou uma reforma política para países de baixas rendas e multiplicou por quatro seus empréstimos a esses países.
  • Aprimoramento de análise no campo político: O FMI está adquirindo aprimoramento a partir das experiências de crises na área política econômica com a ajuda do G-20 e de mercados emergentes.
  • Mais flexibilidade: O FMI tornou mais flexível seus programas de assistência financeira.

Mesmo após anos de crise, a confiança no sistema financeiro americano não se restabeleceu completamente. As soluções estão, dentre outras no reajuste da economia americana e nos países centrais capitalistas.

REFERENCIAS

GONÇALVES, Ademar Bastos. A Crise Econômica Internacional e o FMI. 2005.

GPEARI. O que é o Grupo do Banco Mundial? Disponível em: <http://www.gpeari.min-financas.pt/relacoes-internacionais/relacoes-multilaterais/instituicoes-financeiras-internacionais/banco-mundial/o-que-e-o-grupo-do-banco-mundial> Acesso em 13/11/2015.

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos o breve século XX 1914-1991. São Paulo: Companhia Das Letras, 1995.

INTERNACIONAL MONETARY FUND, FACTSHEET. Departamento de Relação Externas. Disponível em: <http://www.imf.org/external/np/exr/facts/changing.htm> Acesso em 13/11/2015.

ITAMARATY. Banco Mundial. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=120&catid=51&Itemid=593&lang=pt-BR> Acesso em 13/11/2015.

PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. A crise financeira global e depois: um novo capitalismo? Novos estudo. – CEBRAP no.86 São Paulo Mar. 2010.

RÊGO, Elba Cristina Lima. Do GATT à OMC: O que mudou, como Funciona e para onde Caminha o Sistema Multilateral de Comércio. Disponível em: <http://www.bndespar.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/revista/gatt.pdf> Acesso em 13/11/2015.

SILBER, Simão Davi. A economia mundial após a crise financeira de 2007 e 2008. REVISTA USP, São Paulo, n.85, p. 82-93, março/maio 2010

THORSTENSEN, Vera. A OMC – Organização Mundial do Comércio e as negociações sobre comércio, meio ambiente e padrões sociais. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-73291998000200003&script=sci_arttext> Acesso em 13/11/2015.

Sobre o autor

Thales Peixoto

Graduando em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica. Estuda e desenvolve metodologias ativas de ensino utilizando principalmente as tecnologias digitais como ferramenta. Possui experiencia na área de Geociências, atuando principalmente nos seguintes temas: Geoprocessamento, Geomorfologia, Mapeamento e Planejamento Ambiental.

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