Geografia Humana - História Geopolítica

PARIS, o bárbaro é realmente bárbaro?

Escrito por Gabriel Caldeira

Nesta sexta- feira assisti as reportagens do “Jornal da Globo” acerca dos atentados ocorridos em Paris (14/11), desde então estou procurando palavras para transmitir a reflexão que estou tendo, mas a priori espero que vejam o vídeo da reportagem tendenciosa da equipe de jornalistas da corporação. 

 

 

Logo na abertura do telejornal temos colocações perigosas sobre a dicotomia civilização/barbárie em uma linha de raciocínio que nos traz a memória citações em coletivas de ex-presidente norte-americano George W. Bush e do ex-presidente do conselho italiano Silvio Berlusconi onde o primeiro estabelece sua “guerra ao terror” e combate ao “eixo do mal” (referencia aos países do eixo e extremistas da II Guerra mundial), e o segundo com sua “supremacia do ocidente sobre o islã”, mas esta obra que temos exposta neste salão global, não corresponde a realidade vivida.
 
Para que aja uma expansão nos horizontes acerca da compreensão do assunto trago a luz um texto magistral do professor de filosofia Francis Wolff “Quem é o bárbaro?”, no inicio da obra é citado um outro trabalho de Samuel Huntington (choque e civilizações), que consiste no enfrentamento inevitável entre o ocidente cristão, e o mundo muçulmano, e cada vez mais (segundo Wolff) os acontecimentos geopolíticos dão razão a este pensamento. Uma vez isto estabelecido inicia-se a caçada da civilização aos bárbaros.
 
Ainda segundo Wolff, uma cultura toma partido como civilização para legitimar medidas estratégicas e imperialistas menos “recomendáveis”, mas para que estas ações sejam justificadas diante deste prisma, primeiro é necessário que se tenha uma civilização e um bárbaro, ao contrario de Wolff que explanou sobre o quem vem a ser o bárbaro, colocarei aqui simplesmente o que vem a ser o Civilizado, no meio cientifico acadêmico uma civilização se caracteriza pela materialização de quatro pilares fundamentais como a escrita, um poder centralizado, estruturas arquitetônicas entre outras, que se estudarmos a fundo o mundo muçulmano possui, então temos um embate entre civilizações ou bárbaros?.
 
A resposta é questão de ponto de vista, mas uma coisa é certa, a barbárie de um é ligada ao a destruição pela força enquanto a segunda é a barbárie devastadora que pode assolar uma cultura por completo, mais seguro é utilizar o conceito de “cultura” do que civilização, mais uma dica aos repórteres da Rede Globo. Mas não creio que toda essa valoração por parte deles seja por pura ingenuidade ou ignorância, é muito mais por questões ideológicas, como forma de incentivo a não aceitação da cultura islâmica, que pode auxiliar também na má recepção da população de imigrantes vindos de áreas conflituosas e que possam representar perigo.
 
Os atentados a França foram uma resposta sim, mas uma resposta à situação dos palestinos sem pátria, apenas com um povo e um exercito, já que a área que reivindicam pertence a Israel (amiguinha de quem?), se você meche com um alguém encurralado seu extinto é atacar, por essa afirmação caímos em um ciclo vicioso, onde de resposta em resposta chegaremos ao fim. Mas não podemos esquecer do inicio e dos processos ocorridos até chegarmos a este ponto, afinal culpar e manipular massas é fácil, porem precisamos de mais conscientização do que valorações.

Sobre o autor

Gabriel Caldeira

Técnico Ambiental, Blogueiro, youtuber, adepto a esportes radicais em meio a natureza, professor de geografia e de vários cursos virtuais, atualmente está cursando Geografia na PUC Minas. Trabalha incansavelmente, para promover o compartilhamento de informações relevantes na rede, escreve, grava, edita e compartilha todo tipo de coisa que envolva a geografia.
É aspirante a documentarista, engajado nas causas ambientais e sempre caminha no sentido da inovação.

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