Geopolítica

Por que dos Conflitos entre os Estado de Israel e Palestina?

Escrito por Thales Peixoto

O presente artigo corresponde aos estudos sobre o conflito entre Israel e Palestina, através de enredos históricos, geopolíticos e ao longo de suas gêneses. Desde a criação de Israel e a partilha das áreas delimitada pela ONU, as duas etnias árabe e judia tiveram suas hostilidades em massa. A disputa pelo território se da pela divergência de duas etnias, na qual, há o argumento religioso por parte de Israel para justificar a criação de seu Estado, e do outro lado os palestinos que denunciam a constante ameaça de genocídio que seu povo que vem sofrendo e a redução de seu território original desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Há também por parte dos dois países uma rejeição considerável da formalização de seus territórios enquanto Estados formais, mas somente Israel possui o titulo internacional sobre a delimitação de sua fronteira e o reconhecimento de seu governo, sendo que a Palestina não teria tal titulo de país e seu auto-governo somente foi permitido no final da década de 90 e a pouco tempo teve o seu reconhecimento por um organização supranacional (ONU).

Essa guerra de linha de fratura já teve momento em busca de uma paz duradoura, no entanto os requisitos são quase que impossíveis para a execução entre os territórios pelo fato de terem muitas divergências culturais, mas se acordado tal paz, mudaria completamente o cenário do Oriente Médio, reduziria as mortes de civis e talvez houvesse a implantação de um Mercado Comum aumentado o investimento monetário nesta região. Para a concretização deste estudo foi necessária a realização de multiplas pesquisas bibliográficas, estas, em grande parte para compreender tais conflitos, suas posições geográficas, e a dinâmica do Oriente Médio na ótica destes territórios.

História e Caracterização Geográfica de Israel/Palestina
Fonte: Guia Geográfico - Mapas-Ásia

Localização dos Territórios Israel/Palestina.

Os dois países estão localizados ao oeste do Oriente Médio conforme mostrado no mapa acima. Israel faz fronteira com Egito, Jordânia, Síria e Líbano, compreende a linha do cessar-fogo e dos territórios da Palestina com um total de 22.072 Km² de sua extensão, possui uma população aproximada no total de 8.557.700 milhões de pessoas segundo o Central Bureau of Statistics (2016) sendo que em 2006, 81% era composto pela etnia judia enquanto os outros 19% seriam árabes, sua capital é Jerusalém (De facto[1] ) porém grande parte dos países que compõem a ONU e organizações internacionais recusam tal capital, sendo que suas embaixadas estão localizadas em Tel Aviv.

A Palestina possui um território fragmentado no qual se tem atualmente a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, a lonjura entre os dois territórios são de 45 km aproximadamente, Cisjordânia com uma extensão de 5.970 km² com sua capital sendo Ramallah e a Faixa de Gaza com 365 km² e capital Gaza, e segundo o Escritório Central de Estatísticas Palestino a população desses territórios chega a 4,4 milhões de habitantes em 2013.

Segundo Veja (1948) e BBC (2014), tal território a partir do início do século XVI, se chamava Palestina entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, conceituada como uma região sacra para as religiões muçulmanas, judias e católicas, sendo parte do então império Turco Otomano, região pouco povoada, bastante pobre na área agrária e com uma estagnação econômica.

No final do século XIX, foi criado o movimento sionista que tinha como objetivo a criação de um estado judeu, justificado pelo fato da enorme carga de preconceito suportado por judeus na Europa. Segundo a religião judaica, Israel seria a terra prometida por Deus a Abraão e é justamente por esse argumento que o movimento sionista, propagava sua ideia de imigração para a região da palestina, trazendo judeus em massa ao território.

Ao final da Primeira Guerra Mundial com o desmembramento do Império Otomano, havia se distribuído em 3 distritos, os britânicos ficaram na administração do território afim de assegurar a paz e ordem nesta região conflituosa, dando o nome de “Palestina Terra de Israel”, e pelo fato da ocorrência de inúmeras promessas para árabes e judeus vindas da Inglaterra, que posteriormente não forma cumpridas, provocando ainda nesta época focos de tensão entre árabes nacionalistas e sionistas. (Veja)

Com a gênese do Estado de Israel em 14 de maio de 1948, há um aumento de tensão nesta região provocando guerras civis entre árabes e judeus com os conflitos internos,posteriormente elevando sua hostilidade para os países pertencentes a Liga Árabe em seu entorno ampliando para o conflito regional, acarretando uma primeira guerra árabeisraelense, no qual fora conhecida como a Guerra de Independência pelos judeus. Os países árabes (Egito, Síria, Líbano, Transjordânia e Iraque) invadiram ao mesmo tempo o território judeu, mas os militares árabes eram despreparados e utilizavam armamento rudimentar com rifles improvisados, mesmo com sua vantagem em números não foram páreos para a resistência judaica, pelo fato da resistência ser mais preparada estrategicamente. Ao fim da guerra muitos palestinos que tinham sidos expulsos ou desocupados das áreas conquistadas pelos israelitas não puderam retornar, o que influenciou ainda mais a redução do Estado árabe contraponto a partilha idealizada pela ONU. (BBC, 2014)

Outro conflito posteriormente onde há o envolvimento de árabes e judeus foi em 1956, conhecida como a Guerra de Suez, desta vez um conflito internacional com a participação de Israel, Reino Unido e França, no qual há uma invasão do canal por franceses e britânicos enquanto na Península do Sinai (Egito) por parte de Israel, a tomada da península foi uma justificativa para proteger o seu território dos Fedayin palestinos [2].

Em seguida em 1967 com a chamada Guerra do Seis Dias, um conflito regional provocado por Israel entre Egito e a Jordânia, pelo fato do governo israelita ver a formação da política pan-arábe (Aliança militar do Egito, Síria e Jordânia)com hostilidade, fato este, que provocou um ataque de precaução a tais países, resultando na expansão de seu território apoderando-se da Cisjordânia (Jordânia), Faixa de Gaza, Península de Sinai (Egito), Montes Golã (Síria) e Jerusalém Oriental. Posteriormente há acordos de paz do Egito e a Jordânia, 1979 e 1994 respectivamente, e a retomada da Península de Sinai pelo Egito.

Entre o período de 1987 e 1993, ocorreu a Primeira Intifada, revolta popular dos palestinos contra militares israelenses em Gaza e Cisjordânia, denunciando a violência israelense. A revolta teria começado pacifica e no seu fim sucedeu-se com atos violentos, terminado em 1993 com a firmação do Acordo de Oslo, assinados por Yasser Arafat sendo presidente da (OLP) Organização para Libertação da Palestina e Shimon Peres como Primeiro-Ministro de Israel mediado por Bill Clinton presidente dos EUA, em que previa a retirada dos exércitos israelenses dos territórios da palestinos e um autogoverno para a Palestina. No ano de 2005 houve a desocupação de postos militares na Faixa de Gaza e na parte setentrional da Cisjordânia.

Uma das hostilidades mais recentes começou no final do ano de 2008, após colapsos pela negociação de paz na Faixa de Gaza, conhecida com a Operação Chumbo Fundido, pelo fato de Israel não ter suspendido o bloqueio à Faixa de Gaza (Isolamento Econômico) no qual após um cessar-fogo houve uma força desproporcional por parte de Israel.

Segundo BBC (2014) existem condições para os dois países terem uma paz duradoura, tais como a reivindicação de Israel pela soberania em toda Jerusalém sobre o pretexto de que a cidade é “eterna e indivisível” contraponto os palestinos pelo fato de Jerusalém Oriental ser uma das capitais da Palestina. Os palestinos ainda determina que Israel utilize a delimitação das fronteiras antes do início da Guerra dos Seis Dias, no qual estaria incluindo Jerusalém Oriental. Um grande problema seria os assentamentos construídos em 1967 por Israel no território da Cisjordânia, aonde existe um colônia de Judeus. Por fim o impedimento que Israel tem pelo retorno dos refugiados palestinos a região, sobre argumento que descaracterizaria a identidade de um país judeu. Abaixo está um quadro mostrando a dinâmica deste território no meio do século passado ate o início do século XX.

Fonte: Natural Earth Data, 2011; Adaptação: Soares, T. P.

Israel e Palestina: Organização Política

Atualmente o governo do Estado de Israel se constitui em uma democracia parlamentar com um presidente como chefe de estado (escolhido pelo parlamento), e seu poder em grande parte sendo somente simbólico, um Primeiro-Ministro sendo o chefe do governo e gabinete (escolhido pelo presidente), e um parlamento formado por 120 integrantes chamado Knesset, se constituindo como uma república parlamentarista, somente 83% dos países membros da ONU reconhecem Israel.

Já a Palestina ainda não é considerada como um país, sendo que na ONU é classificado como um “Estado Observador Não Membro”, tal título permite aos palestinos a atuarem na Assembleia Geral, ainda assim são dependentes do Conselho de Segurança para a criação de um Estado Palestino e somente 70% dos países integrantes a ONU reconhecem a Palestina como um Estado. Gaza é regulada pelo Hamas um grupo de movimento a resistência islâmica, do qual há uma autoridade máxima que é o Primeiro-Ministro com uma democracia parlamentarista (De jure). A Cisjordânia possui um governo chamado Autoridade Nacional da Palestina que possui um reconhecimento internacional, no qual há o controle do grupo Fatah, considerado como um grupo laico. Todos esses território são representados por organizações tais como, o Conselho Nacional Palestina, Presidente do Estado da Palestina e o Comitê Executivo da Organização para Libertação da Palestina, todos associados a Organização para Libertação da Palestina(OLP).Não Possui nenhum aliado considerado como potencia mundial.

Oriente Médio em Relação ao Conflito

Segundo Huntington(1997), de 50 conflitos étnicos culturais no mundo 26 estão no Oriente Médio, e mais de 15 deles estão com envolvimento de Muçulmanos contra não muçulmanos, ou seja, há mais conflitos envolvendo muçulmanos que outros. Isso explica os tais conflitos pelo engajamento que tal etnia há uma propagação de violência. A qual se leva para as linhas de fraturas, onde se define hostilidades na área da Palestina entre o islã e o território ao lado pertencente aos judeus ortodoxos, principalmente na Faixa de Gaza.

Ainda segundo Huntington (1997), há um plano para unir o Oriente Médio com um mercado comum, mas devido às divergências e hostilidades culturais, ficará somente em teoria.

O plano de Shimon Peres, em 1994, de um mercado comum do Oriente Médio, provavelmente continuará sendo uma “miragem do deserto” ainda por algum tempo. […] Um funcionário árabe comentou que “o mundo árabe não tem necessidade alguma de uma instituição ou de um banco de desenvolvimento do qual Israel participe.

Segundo BBC (2014), ainda existem refugiados palestinos nos Estado próximos à região (Aproximadamente 3,8 milhões), oriundos de conflitos anteriores na Palestina, no qual foram expulsos de seus lares e não puderam voltar. Atualmente existem campos de refugiados espalhados pela Síria, Jordânia e Líbano além dos territórios do auto-governo, a uma estimativa que essa população esteja contida cerca de 40% dos palestinos no Oriente Médio. Na visão do governo de Israel há profundos problemas para aceitar tal população de refugiados, o que envolve uma ordem econômica, relacionado com as relativas indenizações e também se o contingente de refugiados (Aprox. 3,5 milhões) resolvesse voltar a sua região de origem, Israel não teria uma politica de caráter social e demográfico para tal população.

Considerações Finais

Conclui-se que as possíveis causas deste conflito nos revela uma disputa de identidade entre Árabes/Judeus e de qual etnia terá domínio sobre tais territórios, de aquisição de posições estratégicas, já que Israel tem grandes áreas e tecnologia para o cultivo agrário ao contrário dos terrenos da Palestina pelo fato do clima da região muito seco e pouco propicio para agricultura. Israel não somente tinha conflitos com a Palestina, mas também com países tais como o Egito, Jordânia e a Síria, o que explica a tomada da Península Sinai e Golã.

O conflito pode ser considerado como intercivilizacional por ser uma hostilidade em grande parte entre islâmicos e judeus. E seus focos de tensão teriam inicia pelas promessas oferecidas pelos britânicos para as duas etnias conviverem em paz. Foi considerado como conflitos internos, pelo fato da guerra civil entre árabes e judeus contra a proposta da criação de um Estado judeu. Os conflitos regionais se dão após a criação do Estado de Israel países que fazem fronteiras pertencentes à liga árabe, invadem ao mesmo tempo o território, mas os militares árabes eram despreparados e utilizavam armamento rudimentar. Por fim os conflitos internacionais quando houve a intervenção conjunta de países europeus na tomada do Canal de Suez onde Israel se aproveitou do conflito para a tomada da Península de Sinai.

Referências

BBC. 10 perguntas para entender o conflito entre israelenses e palestinos. 29 Set. 2014, Disponível em:<http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/08/140730_gaza_entenda_gf_lk>Acesso em: 20 Nov. 2016.

CENTRAL BUREAU OF STATISTICS. População e Demografia de Israel. Data: Set.
2016. Disponível em:<http://www.cbs.gov.il/reader/?MIval=cw_usr_view_SHTML&ID=705> Acesso em: 05 Nov. 2016.

GOMES, Aura Rejane. A Questão da Palestina e a Fundação de Israel. USP: Dissertação de Mestrado; Departamento de Ciência Política. São Paulo, Jun. 2001.

GUIA GEOGRÁFICO – VIAGEM E TURISMO. Localização dos Territórios Israel/Palestina. Disponível em: <http://www.mapas-asia.com/israel.htm> Acesso em: 05 Nov. 2016.

HUNTINGTON, Samuel P. O Choque De Civilizações e A Recomposição Da Ordem Mundial. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.

SENNA, Lorena Estrela de. Israel E Palestina: Aspectos Históricos, Táticos e a Situação da Paz. UESC: Graduação em Línguas Estrangeiras, Bahia, 2008.

VEJA NA HISTÓRIA. Especial A Batalha Por Jerusalém. São Paulo, mai. 1948.
Disponível em: <http://veja.abril.com.br/historia/israel/especial-batalha-jerusalem-terrasanta.shtml>.Acesso em: 06 Nov. 2016.

VEJA NA HISTÓRIA. Especial Refugiados Árabes Palestinos. São Paulo, mai. 1948. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/historia/israel/especial-refugiados-arabespalestina.shtml>.Acesso em: 06 Nov. 2016.

VEJA NA HISTÓRIA. Luta Pela Terra Santa: A Ocupação do Território desde o século XVI e As Tentativas de Abrigar Árabes e Judeus na Palestina. Disponível em:<http://veja.abril.com.br/historia/israel/infografico-israel.html> Acesso em: 06 Nov. 2016

Sobre o autor

Thales Peixoto

Graduando em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica. Estuda e desenvolve metodologias ativas de ensino utilizando principalmente as tecnologias digitais como ferramenta. Possui experiencia na área de Geociências, atuando principalmente nos seguintes temas: Geoprocessamento, Geomorfologia, Mapeamento e Planejamento Ambiental.

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