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Terminator: as sementes que não geram vida

19. fev, 2014

Uma das recordações mais fortes que tenho da minha escolarização, e talvez seja a sua também, foi a experiência de “plantar” uma semente em um algodão no fundo de um copo de vidro. Me sentia um cientista realizando essa experiência, vendo e percebendo a vida se (re)criando.

Agora, imagine como teria sido frustrante se a semente não tivesse germinado? Isso teria acontecido se a semente em questão fosse produzida por uma planta modificada geneticamente para produzir grãos que não podem germinar, ou seja, uma planta cujas sementes sejam estéreis.

algodão

Essa tecnologia, chamada de Terminator, produz plantas geneticamente modificadas para tornar as sementes estéreis. Oficialmente chamada de Tecnologia Genética de Restrição do Uso, essa técnica foi inicialmente desenvolvida pela empresa Delta & Pine – atualmente de propriedade da Monsanto, em parceria com o governo dos Estados Unidos. O objetivo da utilização das sementes Terminator é evitar que os agricultores replantassem as sementes colhidas maximizando, assim, os lucros dessa indústria.

Assim, os agricultores ficarão dependentes das sementes vendidas pelas grandes empresas. Como as sementes produzidas pelas plantas não serão férteis, a prática bastante comum entre os agricultores, principalmente os pequenos, de guardar sementes para cultivo tornara-se inútil.

No Brasil, o Projeto de Lei 268/2007 prevê a produção e comercialização das sementes Terminator em solo nacional. O PL tramita na à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, última etapa antes de ir para votação em plenário. Empresas transnacionais de sementes e agrotóxicos têm pressionado deputados e senadores para que o projeto seja aprovado.

No final do ano passado, uma comissão formada por Maria Emília Pachedo, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Vanessa Shottz, representante do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN), Darci Frigo, coordenador da organização Terra de Direitos e Sérgio Sauer, relator nacional do Direito Humano à Terra, ao Território e à Alimentação, entregou uma petição com mais de 30 mil assinaturas ao deputado Décio Lima (PT-SC), presidente da CCJC, que retirou o PL 268/2007 da pauta de votação da CCJC. Mas o projeto pode ser posto novamente em votação.

Não se pode ter noção das consequências da utilização das sementes Terminator na natureza. Assim como não se pode isolar um campo de cultivo completamente, podendo acontecer um cruzamento entre as plantas baseadas nessa tecnologia e as não modificadas, podendo gerar uma perda na diversidade natural das plantas afetadas por esse cruzamento, devido a não fertilidade das sementes Terminator.

Para infelicidade do brasileiro, a morosidade política e falta de “sensatez” perante o lobby das grandes empresas podem fazer com que as Terminator  acabem indo parar nos campos brasileiros. Torçamos para que isso não aconteça. Ficaremos de olho.

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Ver artigo original (blog e Esse tal meio ambiente)

Sobre o autor

Gabriel Caldeira

Técnico Ambiental, Blogueiro, youtuber, adepto a esportes radicais em meio a natureza, professor de geografia e de vários cursos virtuais, atualmente está cursando Geografia na PUC Minas. Trabalha incansavelmente, para promover o compartilhamento de informações relevantes na rede, escreve, grava, edita e compartilha todo tipo de coisa que envolva a geografia.
É aspirante a documentarista, engajado nas causas ambientais e sempre caminha no sentido da inovação.

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